O principal risco da Eletrobras é o regulatório e político. Mesmo após privatização, a Eletrobras opera em setor altamente regulado pela Aneel, com presença histórica de pressões políticas. A Lei 14.182 de 2022 envolveu compromissos com investimentos em programas como Reserva Hídrica do Nordeste, revitalização de bacias e descomissionamento de Angra 1, que são obrigações de longo prazo onerosas. Mudanças em regulação de mercado livre, em formação de preços de PLD ou em metodologias tarifárias podem afetar receita e rentabilidade.
O segundo risco é a complexidade da transição pós-privatização. A Eletrobras tem mais de cinco décadas de cultura estatal, com sindicatos fortes, presença em comunidades em torno de barragens, processos judiciais herdados e desafios de integração entre subsidiárias (Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletrosul). A profissionalização de governança, redução de quadro, modernização de TI e otimização de portfólio levam anos para gerar resultado pleno, com risco de execução em qualquer ponto do processo.
Há riscos hidrológicos e climáticos. A Eletrobras tem geração majoritariamente hidrelétrica, dependente de regime de chuvas em bacias estratégicas (Tocantins, São Francisco, Madeira, Paraná). Períodos de estiagem prolongada, como vivido em 2021, reduzem geração e podem exigir compra de energia no mercado para honrar contratos, pressionando margem. Mudanças climáticas tendem a aumentar volatilidade hidrológica, com impactos em capex de adaptação (resiliência das barragens, manutenção de reservatórios).
Há também riscos contábeis e judiciais. A Eletrobras tem passivos contingentes herdados, incluindo questões trabalhistas, ambientais e de empréstimos compulsórios da década de 1970 que ainda geram ações judiciais relevantes. Provisões e desembolsos relacionados podem afetar resultado em períodos pontuais. O atrito com a União Federal pós-privatização sobre prerrogativas de minoritário relevante (golden share) e definição de poderes em decisões estratégicas é tema recorrente. Por fim, há risco cambial em parcela da dívida em moeda estrangeira e em compromissos de fornecedores internacionais para projetos novos.