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JBSS3

JBS

STOCKB3

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-

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62B

Valor de mercado

Resumo Inteligente

Análise rápida e objetiva para sua decisão.

Redent Score
70/100
Boa

Empresa com fundamentos sólidos e perfil interessante para a carteira.

Pontos fortes
  • Marca consolidada no setor
  • Histórico de pagamento de dividendos
  • Líder em seu segmento
Pontos de atenção
  • Endividamento acima da média
  • Margem líquida em queda
  • Crescimento moderado
Perfil ideal

Investidores que buscam renda recorrente e empresas consolidadas.

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Sobre a empresa

Perfil institucional, setor e descrição completa.

JBS

JBSS3 · Código B3
SetorN/A

A JBS S.A. é a maior processadora de proteína animal do mundo em volume e uma das maiores empresas de alimentos do planeta em receita. A companhia atua na industrialização e comercialização de carne bovina, suína, de aves, ovina e peixe, além de operar em alimentos preparados, couros, biodiesel, colágeno e produtos de higiene e limpeza. Com origem brasileira, a empresa hoje tem operações relevantes em mais de 20 países e exporta para mais de 190 destinos, com presença forte nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Europa.

A operação se organiza em divisões geográficas e de proteínas. A JBS USA Beef é a maior unidade individual em receita, processando bovinos no mercado americano. A JBS USA Pork tem posição relevante no segmento suíno dos Estados Unidos, enquanto a Pilgrim's Pride, controlada pela JBS, é uma das maiores produtoras globais de frango. No Brasil, a Friboi atua em bovinos, a Seara em frangos e suínos com forte presença em alimentos preparados, e a JBS Couros transforma um subproduto da operação em receita complementar. A Austrália adiciona escala em bovinos e ovinos, com acesso a mercados premium na Ásia.

A companhia tem capital aberto na B3 sob o ticker JBSS3 e conta com uma estrutura societária dual, com participação relevante da família Batista via J&F Investimentos e participação do BNDES. O ticker JBSS3 corresponde às ações ordinárias e a empresa mantém apenas uma classe de ações listada no Brasil. A JBS anunciou ao longo dos últimos anos a estratégia de listar suas ações também em bolsa americana via dual listing, processo que envolveu negociações regulatórias prolongadas e que altera materialmente o perfil de governança quando concretizado.

Tese de investimento

Os dois lados de JBSS3

A favor

A tese a favor da JBSS3 começa pela escala operacional única no setor. A companhia processa milhões de cabeças de bovinos, suínos e aves por ano em dezenas de plantas industriais espalhadas por geografias diversas. Essa escala se traduz em poder de barganha junto a fornecedores de gado, produtores integrados de aves e clientes do varejo e foodservice. Em um setor de margens estruturalmente baixas, frequentemente entre 4 e 10%, a vantagem de custo unitário derivada da escala é o principal moat competitivo, dificultando que rivais menores ataquem mercados onde a JBS tem dominância logística.

O segundo pilar é a diversificação geográfica. Operar em América do Norte, América do Sul, Europa e Oceania reduz a exposição a choques regionais, sejam sanitários (febre aftosa, gripe aviária, peste suína africana), regulatórios ou cambiais. Quando o ciclo bovino brasileiro está desfavorável, com bezerro caro reduzindo margens locais, a operação americana ou australiana pode estar em fase positiva, suavizando o resultado consolidado. Essa diversificação é difícil de replicar e exigiu décadas de aquisições estratégicas.

A diversificação de proteínas é o terceiro pilar. Diferente de empresas focadas em uma única proteína como Tyson Foods (frango) ou Marfrig (bovinos), a JBS combina bovinos, aves, suínos, ovinos e alimentos preparados. Quando o consumidor migra de carne bovina para frango por questão de preço relativo, a empresa captura a mudança internamente. A linha de alimentos preparados Seara no Brasil e produtos de marca da Pilgrim's nos Estados Unidos adicionam camada de margem mais alta e menos cíclica que a carne in natura.

Por fim, há a tese de geração de caixa em ciclos favoráveis. Em períodos de expansão da oferta de bovinos americanos ou de demanda externa aquecida, especialmente da China, a JBS tem capacidade de gerar fluxo de caixa operacional robusto, distribuir dividendos relevantes e desalavancar o balanço. A companhia historicamente combina reinvestimento em modernização de plantas e aquisições com retorno ao acionista, com dividend yield em ciclos altos podendo superar dois dígitos. A potencial dual listing em Nova York pode reduzir custo de capital e ampliar a base de investidores institucionais.

Contra

O maior risco da JBSS3 é o ciclo do gado, especialmente o americano e o brasileiro. O ciclo pecuário tem duração de 8 a 12 anos e alterna períodos de expansão da oferta, com bezerros baratos e margens altas para frigoríficos, com períodos de retração, com bezerros caros e margens comprimidas. O ciclo americano entrou em fase de retração estrutural após anos de seca em estados produtores, reduzindo o rebanho a níveis baixos e pressionando margens de bovinos da JBS USA Beef. O ciclo brasileiro tem dinâmica própria e nem sempre se sincroniza com o americano, mas também impacta a operação Friboi.

O risco sanitário é o segundo grande fator. Surtos de febre aftosa, vaca louca, peste suína africana e diferentes cepas de gripe aviária podem fechar mercados de exportação por meses ou anos, comprometendo planejamento e gerando estoques excedentes. A China, principal mercado importador para várias plantas brasileiras de bovinos, já implementou suspensões temporárias por motivos sanitários ou geopolíticos. A Rússia, em momentos passados, também praticou restrições, e mercados islâmicos exigem certificações halal específicas.

O risco financeiro inclui alavancagem e exposição cambial complexa. A JBS historicamente operou com endividamento líquido alto, em grande parte denominado em dólares para casar com receita de exportação. Em momentos de queda nas margens combinada com desvalorização do dólar contra moedas locais, o serviço da dívida pode pressionar o caixa. A companhia trabalhou para reduzir alavancagem e estender prazo da dívida, mas qualquer ciclo prolongado de margens baixas eleva o risco percebido pelo mercado e pressiona o custo de capital.

Há também riscos regulatórios, ESG e reputacionais. A JBS já enfrentou investigações relevantes no Brasil envolvendo controladores em delações premiadas, e nos Estados Unidos teve disputas relacionadas a práticas de mercado. A pressão ESG sobre o setor de carnes é crescente, com investidores europeus questionando a cadeia de fornecimento de bovinos no Brasil pela ligação com desmatamento da Amazônia. A empresa investiu em sistemas de rastreabilidade e compromissos de desmatamento zero para fornecedores diretos, mas a rastreabilidade de fornecedores indiretos ainda é desafio. Por fim, a transição alimentar para proteínas vegetais e cultivadas representa risco estrutural de longo prazo, embora as taxas de adoção sigam baixas.

Comparação

Como JBSS3 se posiciona

Na bolsa brasileira, o par natural da JBSS3 é a MRFG3 (Marfrig), também frigorífico global com operações em Brasil, Estados Unidos e outros mercados. A diferença está no escopo: enquanto a JBS é multi-proteína, a Marfrig é majoritariamente focada em bovinos, com a National Beef nos Estados Unidos como principal ativo. A BRFS3 (BRF, hoje controlada pela Marfrig após movimento societário) é o maior nome em aves e suínos no Brasil, com marcas como Sadia e Perdigão. A MNB (Minerva), por sua vez, foca em bovinos sul-americanos com forte presença em Argentina, Paraguai e Uruguai, sem exposição americana direta.

Comparada a peers globais como Tyson Foods (TSN) nos Estados Unidos, Cargill (privada) e Smithfield Foods (controlada pela WH Group da China), a JBS tem a maior diversificação geográfica e de proteínas do grupo. A Tyson é mais focada em aves e proteína processada, com posição mais defensiva e foodservice doméstico americano. Em múltiplos, a JBS historicamente negocia com EV/Ebitda entre 4 e 8 vezes, frequentemente em desconto para Tyson, refletindo prêmio de risco emergente, governança questionada em momentos passados e alavancagem mais alta.

Em produtividade e custo, a JBS está entre as mais eficientes do setor, especialmente nas plantas de bovinos do Brasil, beneficiadas por gado a pasto de baixo custo, e em frangos americanos via Pilgrim's. Margens Ebitda historicamente oscilam entre 5 e 12% conforme ciclo, dentro da faixa do setor. Em ESG, a empresa aumentou divulgação e estabeleceu metas de net-zero até 2040, mas segue cobrada por organizações ambientais quanto à rastreabilidade da cadeia bovina amazônica e por entidades de bem-estar animal sobre práticas em determinadas plantas.

Na bolsa brasileira, o par natural da JBSS3 é a MRFG3 (Marfrig), também frigorífico global com operações em Brasil, Estados Unidos e outros mercados.
Trajetória

A história de Jbs

1953

A JBS foi fundada em 1953 por José Batista Sobrinho, em Anápolis, Goiás, como uma pequena casa de carnes que abatia poucas cabeças por dia. Durante décadas, a operação cresceu organicamente no centro-oeste brasileiro, beneficiando-se da expansão do rebanho nacional e da consolidação do setor frigorífico. A entrada dos filhos do fundador na gestão, especialmente Joesley e Wesley Batista, marcou a transição para uma estratégia agressiva de aquisições nacionais e internacionais.

2000

Os anos 2000 foram transformadores. A abertura de capital em 2007 capitalizou a empresa para iniciar uma sequência de aquisições internacionais que mudou o setor global. A compra da Swift em 2007 trouxe operações relevantes nos Estados Unidos e Austrália. A aquisição de controle da Pilgrim's Pride em 2009, durante recuperação judicial da companhia americana, consolidou posição em aves nos Estados Unidos. A compra da Smithfield Beef e outras transações expandiram ainda mais o footprint, com financiamento relevante via BNDES participações via FIP.

2017

O período de 2017 a 2018 foi marcado por crise. A delação premiada de executivos da J&F no contexto da Lava Jato e operações conexas resultou em multas bilionárias, saída temporária de membros da família da gestão e questionamentos sobre governança. A recuperação da reputação, reestruturação do conselho e reforço de comitês de compliance foram processos longos. Em paralelo, a empresa seguiu crescendo operacionalmente, com expansão da Seara em alimentos preparados e modernização de plantas.

2020

A partir de 2020, a empresa focou em desalavancagem, expansão de plantas próprias, aquisições seletivas como a Vivera em proteínas vegetais na Europa e em produtos de maior valor agregado. O processo de dual listing em Nova York avançou em fases, com aprovações regulatórias específicas e necessidade de assembleia de acionistas. O movimento, quando concluído, posiciona a JBS para acessar pool maior de capital institucional e reduzir desconto histórico em relação a peers americanos.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre JBSS3

Por que a JBS tem só JBSS3 e não JBSS4?

A JBS tem apenas uma classe de ações listada na B3, as ordinárias com direito a voto, sob o ticker JBSS3. Diferente de empresas como Petrobras ou Itaú, que têm ON e PN, a JBS optou por estrutura societária com classe única. Isso simplifica a governança e dá direito a voto a todos os acionistas, sendo o padrão para empresas que pretendem listagem internacional ou Novo Mercado. A liquidez se concentra integralmente em JBSS3.

Quando a JBS paga dividendos?

A JBS tem histórico de pagar dividendos com base em resultados anuais e semestrais, geralmente após divulgação dos balanços com referência ao exercício anterior. A companhia também paga juros sobre capital próprio (JCP) em alguns ciclos como instrumento fiscalmente eficiente. As datas com (data de corte) e ex (data sem direito) são publicadas no site de RI após aprovação em assembleia. Em ciclos de margens altas, dividendos extraordinários adicionais podem ser anunciados.

Qual é o dividend yield histórico da JBSS3?

O dividend yield (DY) da JBSS3 é altamente cíclico e varia conforme as margens dos frigoríficos. Em ciclos de margens baixas, com gado caro nos Estados Unidos ou no Brasil, o DY pode ficar abaixo de 2%. Em ciclos favoráveis, com expansão do rebanho e demanda externa aquecida, o DY já superou 10% em períodos específicos. A média histórica costuma ficar entre 3 e 8%, sempre lembrando que a empresa também distribui via JCP.

Como funciona a política de remuneração da JBS?

A política de dividendos da JBS prevê distribuição mínima de 25% do lucro líquido ajustado, conforme estatuto, mas a prática histórica mostra distribuições maiores em ciclos de geração de caixa robusta. A empresa balanceia retorno ao acionista com investimentos em modernização de plantas, aquisições estratégicas e desalavancagem da dívida. Em momentos de forte geração de caixa, dividendos extraordinários podem ser anunciados, especialmente se a alavancagem estiver dentro da meta.

Como o dólar afeta JBSS3?

A JBS tem operações majoritariamente dolarizadas via JBS USA, Pilgrim's e Australian Beef, com receita em dólares e custos locais nos respectivos países. A operação brasileira exporta parte relevante da produção, também recebendo em moedas estrangeiras. Em geral, desvalorização do real beneficia a empresa, valorizando receitas externas em base local. O efeito sobre a dívida é mais neutro, já que parte relevante do endividamento também é em dólares, casando ativos e passivos.

JBSS3 é boa para uma carteira de longo prazo?

JBSS3 oferece exposição a um setor essencial e cíclico de proteína animal, com escala global e diversificação geográfica únicas. É volátil, com resultado dependente de ciclos do gado, sanidade animal e dólar, mas pode entregar retornos atrativos em ciclos favoráveis. Para carteiras de longo prazo, costuma compor entre 3 e 8% do book de ações brasileiras, complementando setores menos cíclicos como bancos, utilities e saneamento. Quem busca exposição a commodities agro tende a apreciar o nome.

Como o ciclo do gado afeta a JBS?

O ciclo do gado é o principal driver de margens dos frigoríficos. Em fase de expansão, com mais bezerros disponíveis, o preço do gado cai e a margem de processamento sobe, beneficiando a JBS. Em fase de retração, com rebanho menor, o gado encarece e comprime margens. O ciclo americano tem duração de 8 a 12 anos, e o brasileiro segue dinâmica diferente influenciada por safra, dólar e exportações. A diversificação geográfica suaviza o efeito sobre o consolidado.

A dual listing em Nova York muda o perfil da JBS?

O processo de dual listing aprovado em assembleia visa listar a JBS na bolsa de Nova York mantendo a listagem brasileira via BDRs. Quando concretizado, isso amplia a base de investidores institucionais americanos, pode reduzir o desconto frente a peers como Tyson, e exige adoção integral de padrões contábeis e de governança SEC. O movimento tende a aumentar liquidez agregada e potencialmente reduzir o custo de capital, embora também submeta a empresa a escrutínio regulatório mais rigoroso.

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